Festival Se Rasgum discute a música indígena contemporânea

Publicado em: 03/11/2020
Autor: Isabella Moraes
Assunto: Sem categoria
Tempo de leitura: 3 minutos

Fundada em 2013, a Rádio Yandê  é uma emissora online que se define como “a primeira web rádio indígena brasileira”. Com sede no Rio de Janeiro, a rádio foi criada como um meio que amplificasse vozes de diferentes culturas indígenas, mas sem traduzir para o português, transmitindo conteúdo que abrange as 190 línguas indígenas que existem no Brasil.

A experiência da emissora foi tão bem sucedida que passou a ser catalizadora de uma nova geração de artistas, que começaram a chamar a atenção pela criatividade de suas produções que se apropriam de gêneros como rap, rock, pop, MPB, forró, música eletrônica, metal, reggae, e outras variadas fusões de estilos, para propagar a sua cultura tradicional.

Um cenário tão diverso que acabou ganhando um evento inteiramente dedicado à música indígena atual. Realizado no final do ano passado em São Paulo, o Festival de Música Indígena Contemporânea (YBY) reuniu 14 artistas em sua primeira edição.

O debate “Música indígena contemporânea: resistência cultural, visibilidade e ocupação de espaços no mercado musical brasileiro”, vai mostrar um pouco dessa nova produção com a participação de artistas indígenas que irão contar como combatem estereótipos e usam a arte para trazer mais atenção para suas causas. A conversa irá contar com a mediação de Renata Tupinambá, cofundadora da Rádio Yandê e organizadora do Festival YBY; Gean Ramos, cantor, compositor e violonista; Nelson D, DJ e produtor; Brisa Flow, cantora e rapper; e Marcia Kambeba, poeta e cantora.

O bate-papo integra a programação do Music In The Tablet (MITT), realizado pelo Festival Se Rasgum.  O evento que substitui este ano o Music On The Table (MOTT) ganha uma nova roupagem, agora com formato online. Com o patrocínio master da Natura Musical, através da lei Semear de incentivo à cultura, e patrocínio da Petrobras, pelo edital Petrobras Cultural através da lei federal de incentivo à cultura, o MITT será transmitido gratuitamente entre os dias 26 e 31 de outubro, oferecendo workshops, masterclass, debates e entrevistas sempre focados em soluções para os novos cenários e os desafios do mercado musical enfrentado este ano. A semana de formação voltada para o fomento da economia criativa da região e, agora do Brasil todo, irá ao ar no canal de TV oficial do Festival no YouTube (YouTube/serasgum). As atividades de workshops e masterclass terão inscrições pelo site Sympla (www.sympla.com.br) com transmissão pelo aplicativo de videoconferência Zoom (zoom.us). 

O DJ e produtor Nelson D afirma que a sua música é um retrato de sua história, por isso valoriza as influências indígenas como uma forma de dar mais representatividade no cenário musical brasileiro. Nelson D trabalhou como produtor de artistas como Gloria Groove, Linn da Quebrada, Danna Lisboa, Tassia Reis, Mel e Davi (ex integrante da banda Uó). Mas depois de um tempo sentiu a necessidade de resgatar a sua ancestralidade. No álbum de estreia “Em sua própria terra” (2020), ele mistura música eletrônica e experimental com as sonoridades das músicas indígenas.

“O meu som é algo de sincrético, multicultural. Eu sou indígena, brasileiro, europeu e Italiano. É muita coisa. Considerar a minha música indígena ou não é algo que deixo ao público”, diz o músico.

Brisa de la Cordillera, conhecida no hip hop como Brisa Flow, concorda que o novo cenário efervescente é abrangente demais para caber em único rótulo. Filha de artesãos chilenos, Brisa de la Cordillera é da etnia Mapuche, mas nasceu e cresceu em Minas Gerais e hoje está radicada em São Paulo. A rapper tem dois discos lançados, “Newen” (2016) e “Selvagem como o vento” (2018) que como ela explica, se apropriam do Hip Hop que já é essa fusão de música ancestral com outros ritmos inclusive jazz, pop, reggae.

 “Existem indígenas músicos artistas fazendo som hoje, no presente, então sim existe música contemporânea indígena! Com o meu trabalho eu quero desconstruir o imaginário colonial presente nas artes e seguindo na luta de me inserir em um mercado que nos exclui constantemente”, conclui a MC.

SERVIÇO:

O debate “Música indígena contemporânea” será realizado hoje (27), às 20h30, dentro da programação do Music In The TableT (MITT). O evento integra as atividades do Festival Se Rasgum TV Show, que será transmitido online e gratuitamente entre os dias 26 e 31 de outubro no canal de TV oficial do Festival no YouTube (YouTube/serasgum).  Os workshops e masterclass terão inscrições pelo site Sympla (www.sympla.com.br) com transmissão pelo aplicativo de videoconferência Zoom (zoom.us).